Bandas

 
  The Doors

Diz a história que uma das bandas de maior cartaz na história do rock, os Doors saíram da cabeça de dois estudantes de cinema da Universidade da Califórnia: o vocalista e letrista Jim Morrison e o tecladista Ray Manzarek . Ao ouvir as poesias de Morrison, Manzarek o convidou imediatamente a integrar a banda Rick & The Ravens, em que tocava com seus dois irmãos, em Los Angeles, 1965. Logo foi recrutado o baterista John Densmore, mas os irmãos de Ray Manzarek detestavam as composições de Morrison e deixaram o grupo. Com a entrada do guitarrista Robby, o quarteto ficou completo, extraindo o nome The Doors do verso de William Blake citado por Aldous Huxley na abertura de seu livro As Portas da Percepção.
O The Doors tinha um repertório de refinado psicodelismo, fundindo blues, jazz, música oriental e muita improvisação, ou gritaria desenfreada, a banda passou a tocar com freqüência no circuito de nightclubs da cidade. Chegaram, porém, a ser expulsos do mais famoso deles, o Whisky-A-Go-Go, quando o proprietário do estabelecimento ficou escandalizado com a letra de "The End", particularmente no trecho em que Morrison berrava "Pai, eu quero te matar!/Mãe, eu quero te f...". Em 1966, porém, a banda já era contratada do selo Elektra, obtendo sucesso imediato com o álbum de estréia, The Doors (1967), principalmente pelo estouro nas rádios de todo o planeta do single "Light My Fire". Enquanto Jim Morrison era transformado em símbolo sexual, suas letras chamavam a atenção de escritores, poetas e professores de literatura. Lançado no mesmo ano, Strange Days repetiria o êxito de seu antecessor e, em 1968, a banda partia para sua primeira turnê européia.
A ascensão do The Doors, porém, só fazia aumentar o desprezo que Morrison sentia pelo papel de pop star. Sua atuação anárquica e selvagem tornava os shows dos caras imprevisíveis, com o vocalista confrontando cada vez mais o que considerava a mediocridade da sociedade norte-americana. Os chiliques atingiram o ponto máximo em um show em Miami, no ano de 1969, quando foi Jim foi preso sob a acusação de expor seu órgão genital para a platéia. O longo processo nos tribunais prejudicou seriamente a carreira da banda, provocando o cancelamento de vários shows. Nesta altura do campeonato, Morrison já havia publicado dois livros de poesia e planejava abandonar definitivamente a música para se dedicar exclusivamente à literatura.
Em 1971, com a intenção de se dedicar exclusivamente a literatura Morrison partiu para Paris, logo após as gravações do álbum L.A. Woman. No dia 3 de julho do mesmo ano, no entanto, foi encontrado morto na banheira do apartamento que alugara na capital francesa, vítima de uma parada cardíaca supostamente causada pelo excesso de drogas. Depois disso, o trio Manzarek, Krieger e Densmore ainda chegou a gravar dois álbuns com o nome The Doors - Other Voices, ainda em 1971, e Full Circle, já em 1972, desprezados por crítica e público no mundo todo.
Em 1978, os caras voltariam a se reunir, gravando o acompanhamento musical para as gravações deixadas por Morrison com a declamação de vários de seus poemas. O álbum resultante, An American Prayer, foi recebido com entusiasmo, lançado em um momento em que as bandas pós-punk tinham nos Doors originais uma de suas maiores influências. De fato, o culto das novas gerações a seu cantor e letrista atingiu, nos anos 80, proporções maiores ainda do que quando ele era vivo, provocando o lançamento de gravações ao vivo até então restritas a discos piratas e culminando com sua biografia levada ao cinema por Oliver Stone, em The Doors (1991).

 


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08/05/2006 - 17h24min