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  O Rush 40 anos depois chega à capa da “Rolling Stone”

Rush na Rolling Stone-UOL

E o Rush chegou lá. Uma biografia rumo à quinta década de existência com a mesmíssima formação, que forjou uma discografia invejável sob vários aspectos com um som autoral e ímpar: o trio canadense ganhou sua primeiríssima capa da revista “Rolling Stone” em pleno 2015. O feito é menor se posto em retrospecto à carreira da banda, mas funciona como ilustração perfeita tanto para dois descompassos – o do showbusiness com o Rush e o dos antigos poderes da indústria da música com a música produzida atualmente. O Rush é o Spinal Tap da vida real – só que diferente do grupo fictício criado no pseudocumentário This is Spinal Tap (1984), de Rob Reiner, o trio canadense deu certo. Não no sentido esperado de “certo”, aquele momento em que todas as qualidades esperadas de um artista convergem para sucessos incontestáveis e unânimes. Mas o grupo conseguiu sair de seu país, ganhar o maior mercado do planeta sem entrar na briga de egos do mundo do entretenimento, criou uma base sólida e fanática de ouvintes e apreciadores, lançou discos clássicos até para quem não gosta da banda e sobreviveu do próprio trabalho sem precisar fazer concessões, adaptar-se a modismos ou virar celebridades.Afinal Geddy Lee, Alex Lifeson e Neil Peart são o avesso de celebridade: nerds musicais que piram em minúcias que vão despertar a curiosidade e o encanto de tantos outros nerds musicais. Gostam de contar histórias de ficção científica, de solos de guitarra que se misturam com teclados enquanto a bateria exibe-se quase no limite de invadir o primeiro plano e de capas de discos surrealistas. Tudo isso seria bem diferente se seu vocalista tivesse uma voz invejável ou tivesse ares de galã, mas a feiúra e a voz esganiçada de Geddy Lee – indistinguíveis do próprio Rush, parte da essência de seu DNA musical – deixaram sempre o Rush num universo paralelo seu. O que nos leva a questionamentos vagos sobre, por exemplo, o que aconteceria com o Led Zeppelin se Robert Plant não fosse um virtuose vocal, o estereótipo do “deus do rock” (como ilustrado no filme Quase Famosos) e dependesse apenas de seu carisma no palco ou o que aconteceria com o Rush se Geddy Lee fosse bonito e tivesse um timbre olímpico. Talvez o Led virasse o Black Sabbath e o Rush virasse o Queen, mas divago.O Rush nasceu em 1968 e teve outro baterista, John Rutsey, em sua primeira encarnação, até lançar, em 1974, um disco homônimo que ficava naquele limite entre o hard rock e heavy metal que era tão popular na época e cujo lançamento é o único ponto fora da curva de toda sua discografia. Com a entrada de Neil Peart, que logo assumiu o papel de letrista da banda, o grupo começou a engatar um som mais autoral e abria um flanco para outro gênero musical em voga na época – o rock progressivo. Com esse novo direcionamento musical, o baixista Lee começou a explorar texturas musicais nos teclados e passou a usá-los nos shows, usando pedais para conseguir tocar os dois instrumentos ao mesmo tempo. Fly by Night, de 1975, apresentou a banda com sua nova formação e deu início à fase clássica da banda, que depois compôs discos como a ópera-rock scifi 2112 (1976), o épico A Farewell to Kings (1977), o futurista Permanent Waves (1980) e seu maior clássico, Moving Pictures (1981), que traz hinos da banda como “Tom Sawyer” (que o público brasileiro lembra-se por causa da abertura do seriado de McGyver, Profissão Perigo), “YYZ”, “The Camera Eye”, “Limelight”e “Red Barchetta”. Ao mesmo tempo estabeleceu um parâmetro curioso de exigência própria: a cada quatro discos lançava um disco ao vivo que fechava uma fase e obrigava o grupo a ir para a próxima em busca de novas sonoridades e novos desafios artísticos. Fonte: Matias 01/07/2015-http://matias.blogosfera.uol.com.br/


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04/07/2015 - 10h49min